quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Praga dos Edifícios Neoclássicos em São Paulo

Há alguns anos, um tema pra lá de espinhudo tomou frente nas discussões entre arquitetos, incorporadores e porque não dizer, antropólogos; a proliferação de edifícios no estilo neoclássico em São Paulo.

Para ajudar a entender o que são edifícios neoclássicos, pense da seguinte forma.

Imagine você vivendo no século XVIII, exclusivamente na europa, onde o neoclassicismo foi a retomada da cultura clássica greco-romana em contraposição ao barroco.


Pense na época dos reis, rainhas, nobreza, carruagens, príncipes e princesas. 

Agora exercite mais o pensamento e imagine colunas gregas, rocalhas (aquelas esculturas de gesso em formas de conchas), mansardas (telhado de ardósia inclinado como no Palácio de Versalhes), portões de ferro cheios de ornamentos e fru-frus.

Pensou?

Agora transporte toda esta parafernalha para o século 21, mais especificamente para os prédios residenciais da região da Vila Olímpia em São Paulo.

Pronto, você já sabe o que é um prédio neoclássico. É basicamente isto:





Este tipo de prédio virou moda em São Paulo, mas a pergunta que intriga arquitetos e antropólogos até hoje é : Por quê?

Por quê viver em edificações que imitam a época dos príncipes e princesas, reis e rainhas, se as pessoas que nelas vivem não usam vestidos como os  de Maria Antonieta ou chapéus como os de Napoleão?

O que faz um paulistano plebeu endinheirado (sim apartamentos em prédios neoclássicos geralmente custam mais caro) fingir viver na realeza?

De onde surge este gosto duvidoso para sua moradia, se o resto de sua vida não segue o mesmo padrão?

Algumas são as teorias para este fenômeno bizarro de crise de identidade por parte dos paulistanos habitantes destes frankensteins arquitetônicos.

Mas talvez a que mais me convenceu foi a teoria da "falta de pedigree".

Diz a lenda, ops, a teoria, que geralmente as pessoas que compram unidades nestes bolos de noiva, são novos ricos, que sentem falta de uma origem mais nobre em suas vidas. São pessoas que tentam abafar um passado plebeu e vulgar.

Suas famílias não participaram da conquista da cana-de-açucar, borracha e café em terras brasileiras, nem ganharam sesmarias de presente de natal. Quiçá conquistaram nomes em placas de ruas no século passado.

Então, restou-lhes cultivar a imagem infantil de pertencentes à realeza paulistana, empilhados uns sobre os outros em prédios de 30 andares com telhados inclinados para escorregar a neve européia.

Enquanto arquitetos e antropólogos ainda tentam desvendar o mistério da proliferação dos neoclássicos em São Paulo, eu tenho uma dúvida um pouco mais simples.

Será que esta gente consegue convencer a família Orleans e Bragança?




11 comentários:

  1. Meu amigo, qualquer coisa é melhor do que a infestação de "caixotes" no estilo "moderno" nas grandes capitais sem absolutamente nada, apenas um pórtico qualquer, revestimento cerâmico de quinta e janelas de vidro verde.

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    1. Excelente comentário. Mania de blogueiros frustados em achar que toda afirmação é unânime e verdadeira. Gosto é igual bunda, cada um com o seu.

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  2. Meu amigo, qualquer coisa é melhor do que a infestação de "caixotes" no estilo "moderno" nas grandes capitais sem absolutamente nada, apenas um pórtico qualquer, revestimento cerâmico de quinta e janelas de vidro verde.

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  3. Vai tomar no seu cu caralho
    cuida da sua vida seu merda, não compre um prédio neoclássico
    eu gosto dos prédios neoclássicos porque eles são bonitos seu trouxa

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    1. vai tomar no seu cu caralho
      cuida da sua vida seu merda, não reclama de um post reclamando de prédio neoclássico
      achei seu comentário um lixo seu trouxa

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  4. Essa reportagem é seria?
    Sera que esse tal de Chico Tchello tentou comprar um desses e teve o credito negado?

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    1. Kkkk verdade, não teve dinheiro para comprar um apartamento neoclássico e agora está chorando na internet. Diz o ditado: Quem desdenha quer comprar.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Cara sinceramente, esse ódio contra o neoclássico de São Paulo vem pelo simples fato de que ele não nasceu na academia, vem da mais pura demanda de mercado. Esses arquitetos patetas passam anos tendo a mente lava e parece que perdem a habilidade de reconhecer o belo. Aí inventam mil motivos para dizer que o movimento é ruim, dez da falta de "urbanismo", passando pela "mistura de estilos" até adornos "a esmo". Baboseira! É bem semelhante ao que acontece com a arte moderna, esses panacas se acham o máximo porque só eles sabem apreciar a "arte", qualquer um que ache o modernismo uma merda e veja a beleza evidente do neoclássico vira automaticamente um burro, um plebeu, a "patuléia". Se tivesse um arquiteto que tivesse idealizado o movimento, que fosse responsável pelos primeiros projetos, seria endeusado, seria feito o novo Niemeyer por esses mesmos idiotas sem personalidade que hoje criticam o neoclássico kkkkkkkkkkk

    Quem não tem pedigree são esses arquitetos metidos a intelectuais, isso eu te digo.

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  7. Filhote de Lúcio Costa com seu discursinho de guerra de classes.

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  8. Cada um tem seu gosto, o neoclássico já foi um estilo muito prezado pelas pessoas e arquitetos, hoje não tanto, assim como o modernismo tmb foi e por incrível que pareça ainda é. Tem gente que gosta do neoclássico, palácios, etc, e tem gente que gosta de viver em caixotes brancos, as vezes de vidro, iguais aos prédios americanos, até porque os modinhas de hj só querem imitar os americanos, desde de sempre na vdd. Uma coisa é certa, o moderno envelhece mau. Pode ver, é mais agradável ver um edifício neoclássico envelhecer que uma caixa ficar velha. O Brasil não tem arquitetura autêntica, aliás poucos países tem. Por exemplo, Oscar Niemayer, "aperfeiçoando" Le Corbusier, numa mistura com Mies Van de Rohe tmb. Mas como disse, cada um tem seu gosto. E no final das contas a arquitetura sempre vaí ser copiada ou inspirada no passado, a menos que surja no Brasil uma Zaha Hadid, que por sinal parece misturar muito o Oscar com algumas outras coisas, no fim fica algo desconstruído e futurista.

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